No limiar da percepção: entrevista com Thelmo Cristovam

desde 2002, thelmo cristovam, 41 anos, lançou inúmeros discos por selos de diversos países, como argentina, estados unidos, méxico, alemanha e portugal. o artista sonoro e pesquisador pernambucano – na verdade é natural de brasília, mas por viver aqui desde os seis anos ele já se considera pernambucano – começou organizar a sua obra e disponibilizou na internet boa parte de sua extensa discografia. até agora 109 álbuns foram colocados para audição e download gratuitos no bandcamp.

o ponto principal do trabalho de thelmo cristovam é o cruzamento entre ciência e arte. ele não chegou a concluir, mas cursou bacharelado em física e matemática, estudando as áreas de sistemas dinâmicos (caos determinístico e teoria da catástrofe) e lógicas não-formais (meta-matemática). já na universidade demonstrava seu interesse. “teve um trabalho de topologia que eu fiz todo sobre as gravuras de escher (artista gráfico holandês) e o professor não aceitou porque eu tava mexendo com arte”, relembra.

hoje thelmo é pesquisador independente de psicoacústica e ministra palestras e oficinas sobre o tema – em recife, a última foi no festival continuum do ano passado. “a psicoacústica é uma ciência que quer entender a escuta. basicamente usando a biologia e a física. mas isso é a vertente mais clássica. a psicoacústica tá interessada na escuta humana, eu tô interessado na escuta geral mesmo”, explica.

atualmente ele desenvolve um projeto ambicioso. busca gravar e desenvolver uma obra com sons do cosmo, fora do planeta terra, tendo um interesse particular pelas explosões solares – erupções que ocorrem na superfície do sol causadas por mudanças repentinas no seu campo magnético.

a ideia surgiu por volta de 2012 como uma forma de testar seus próprios limites. desde 2005, ele já trabalhava com gravações de campo, mas sentiu necessidade de ir além. “eu já entendia como gravar no ar (atmosfera, meio gasoso), meio líquido e no meio sólido (não dentro do meio, mas por contato, transformando a vibração em som. o lance é que em 2012 eu ganhei uma bolsa pra uma residência artística no rio de janeiro chamada capacete. quando eu tava indo, no avião, li em uma national geographic ou algo assim uma reportagem falando sobre as explosões solares que estavam acontecendo na época. aquele ano era exatamente o auge dessas explosões”, explica.

thelmo segue: “essas explosões solares realmente geram pulsos eletromagnéticos fortíssimos. estavam mapeando elas porque, dependendo da intensidade, um pulso eletromagnético desses poderia causar um blackout mundial que jogaria a gente de volta pra idade média. mais do que criar um blackout geral e queimar as coisas, tem o fato de que a gente tá tudo baseado em armazenamento digital das informações. um pulso desses ia apagar todos os hds do mundo. isso ficou na minha cabeça, é uma imagem muito forte. a visão da coisa me deixou atordoado”.

mas, afinal, como realizar essas gravações? como colocar um microfone no espaço para captar o sol? “a questão é que se eu não consigo fazer diretamente, eu consigo um modo teórico de gravar a consequência de um pulso eletromagnético. por exemplo: uma onda de rádio é uma onda eletromagnética, uma onda de tv”, diz. “os radiotelescópios são aparelhos usados para investigar zonas espaciais inacessíveis aos telescópios. eles fazem isso a partir de fontes cósmicas de ondas de rádio”.

para o projeto de thelmo, então, bastaria amplificar a onda captadas por esse equipamento, existente em observatórios. mas ele enfrenta problemas burocráticos: “desde 2012 eu tento que me dêem acesso aos radiotelescópios pra gravar isso. só que essa conversa de arte e ciência é conversa mole de edital. eu já visitei vários e na hora h, quando preciso de uma carta pra conseguir dinheiro pra questões práticas, eles dizem não”.

“quando você grava alguma coisa que tá soando, quando você escuta uma coisa, o que é isso? depende do nível que você tá pensando, mas no final das contas é tudo átomo vibrando um no outro pra produzir energia, que se transforma em ondas mecânicas e etc. e você diz: ‘eu escutei o carro’. mas, claro, isso é uma questão cultural. e como é que faz? você vai reduzir tudo a nível atômico ou falar que é o som do vento nas folhas? existe uma questão estética e poética dessas coisas também, essa redução completa acho que ajuda a pensar e refletir sobre as coisas quando parecem que elas querem tomar conta de voce, uma questão política mesmo”, afirma.

“a nossa escuta já é relacionada e filtrada por essa relação de poder. você deixa de escutar. sei lá, a quantidade de sons que a gente tá envolvido aqui agora e você filtra. é porque a gente tá com o objetivo de conversar entre a gente e tal”, ele diz.

menciono os exercícios de sua oficina introdução à arte sonora, do continuum, como passar alguns minutos concentrado tentando ouvir o máximo sons em nossa volta, diariamente, antes de dormir. ou comer algo crocante usando um protetor auricular. “os exercícios da oficina tinham a ideia de ouvir mais sons que estão no ambiente. aliás, não é nem ouvir, é conscientizar, é uma percepção”, explica. “robert anthon wilson em um cálculo humilde concluiu que o que a gente percebe do mundo sensível (eu não tô falando de mística nem de espiritualismo, é coisa física), o somatório do que a gente escuta, sente, vê é 1% [do total]. cálculo que ele fez e repetiu também. a questão é que a gente não tem a capacidade. a gente tá absorvendo isso tudinho mas o cérebro vai lá e corta essa informação porque ele não tem como lidar com isso tudo ao mesmo tempo. o cálculo era esse: 10 mil informações por segundo chegando e você lida com mil. e isso é só a percepção, não é a organização, a ligação mental pra memória, a regurgitação quanto às ligações, questão criativa e tal. é justamente isso: é um filtro, que vai passar, eu acho, por filtros culturais, de poder etc e uma coisa fisiológica. mas fisiologicamente também o cérebro tá filtrando isso porque teve alguns impulsos que foram colocados nele. sei lá, moralmente, relação de poder”.


mapeamento sonoro de pernambuco: problematizando a noção de “gravação de campo” 

thelmo também trabalha muito com paisagens sonoras. em meados de 2013, ele começou a desenvolveu, junto com os fotógrafos ghustavo távora e luiz santos, a série fonofotografia, um projeto de mapeameamento sonoro e fotográfico de pernambuco. são gravações de campo acompanhadas de fotografias de cunho mais artístico/ abstrato de diversas partes do estado: o sertão, o centro do recife, a usina catende, a ilha de fernando de noronha, um culto de candomblé na nação xambá, o sítio histórico de olinda, o vale da lua de calhetas, entre outros.

o material foi lançado em dois volumes físicos e um site. o primeiro lançamento foi um álbum duplo, com os cds de gravações do vale do catimbau e conceição das crioulas, no sertão do estado (fotos de ghustavo távora). o outro saiu como uma caixa com 10 cartões postais, cada um acompanhado de um mini cd (fotos de luiz santos). no site www.thelmocristovam.net/fonofotografia é possível ouvir os áudios, ver as fotos e conhecer os locais das gravações pelo google maps; também está disponível no youtube com os textos do encarte e no bandcamp de thelmo cristovam dá para baixar um álbum com os dois volumes reunidos.

a primeira parte da pesquisa registrou o vale do catimbau, que abrange os municípios de buíque, ibimirim e tupanatinga, e a associação quilombola conceição das crioulas, em salgueiro, composto por 16 núcleos populacionais onde residem aproximadamente 750 famílias. na sequência vieram as gravações dos cartões postais.

a intenção do trabalho, diferente das “gravações de campo” tradicionais, não é de documentar a realidade. ao contrário, pretende desafiar com outras escutas e fazer perceber aquilo que passa despercebido pelo nosso ritmo cotidiano. ao gravar a ponte princesa isabel e a ponte da boa vista, por exemplo, ele usou um microfone subaquático, nos colocando para ouvir o centro nervoso da cidade por debaixo d’água. o trabalho de thelmo cristovam nos faz perceber a múltiplas possibilidades da escuta e da percepção. “as pontes, espaços de transição sobre o que corta a cidade, vibram com os sons emitidos por ela e transmitem esses sons através da água, os filtram e deslocam suas frequências à modo de ressignificar os sons do tráfego ao meio-dia”, explica thelmo no texto do encarte.

“já ouvi muito muito comentário do tipo ‘foi muito bem gravado’. isso é muito louco porque o que é ‘bem gravado’? ou quando é usado microfone de cinema, os chamados shotguns, [dizem]: ‘o cara escuta tudo’. cara, a gente escuta muito mas não escuta tudo! o lance é que eu acho uma ótima analogia com a fotografia — apesar de que chegando a certos niveis ela se dissolve. você tá vendo as coisas a toda a hora, mas quando você pega e foca numa história ela poeticamente chega em um outro nível. mas aquela coisa está ali pra você ver a toda hora. mas você reconfigurou e recortou ela da realidade, e inclusive diminuiu uma dimensão porque transformou em 2 dimensões (diminuiu profundidade que tá ilusória ali e a temporal mesmo porque você congelou) e aquilo ali tem uma força poética, uma estética, tem um deslocametno, um congelamento.  ou seja, você congela no tempo e no espaço e dizer que isso foi bem gravado não tem muito sentido. às vezes você faz uma ‘boa gravação’ com equipamentos pra querer representar a realidade; sei lá, pra um filme você tem que fazer que as pessoas sejam iludidas de que aquilo ali é aquele tipo de cena. isso se deve muito à gente ser basicamente uma sociedade de consumo visual — o que é também uma relação de poder. não tô querendo colocar como valor a escuta, dizer que é melhor não. eu acho tudo igual, eu só trabalho com a escuta. não é que a musica, o som é melhor que a visão. não é isso. mas é uma sociedade que tá baseada na visualidade. você vê que o mercado de publicidade é visual, isso é uma questão sexual inclusive, tem uma questão psicosexual muito forte. a dominância desse mercado consumidor… é uma questão machista mesmo muito forte e os homens são exitados sexualmente pela visão”, argumenta.

thelmo cristovam

thelmo cristovam

ele continua: “bem, uma outra questão fora ser “bem gravado” é o “parece que eu to no lugar”. não! eu desloquei isso tudo, voce não tá. você não tá sentindo o calor que tava lá, os insetos não tão te incomodando do mesmo modo. você não poderia estar lá porque nem eu estava lá, deixei o gravador, abandonei e voltei horas depois. você só tá escutando em dois canais, quando você tá escutando as coisas no local você esta auralmente envolvido em todas as direções. você não tá limitado pelo alcance do microfone, tá limitado por quanto você consegue se concentrar e entrar num certo tipo de relacionamento com as coisas, o quanto você consegue ficar em outro estado mesmo”.

e completa: “a terceira coisa é que eu pego essas coisas [gravações] e escolho elas. primeiro escolho onde vou gravar. isso é uma escolha de composição mesmo. onde vou gravar, que época do ano e o por quê; que horas e o por quê; com que equipamento e o por quê; com quantos canais e o por quê. quando chego tem aquelas dezenas, mais de centenas de horas de gravações. vou escutar aquilo e escolher aquelas coisas. é uma escolha, eu corto, monto um banco, depois de montar aquele banco, por alguma questão ou técnica (alguma coisa deu errado pra mim), estética (porque gostei daquilo ali por algum motivo) e depois colocar junto coisas que foram gravadas numa semana junto com coisas de outras semanas; outras que foram de noite, outras que foram amanhecendo; outras que são de meio–dia. é um deslocamento e um recorte, uma remanipulação completa das coisas. é uma composição, como escolher uma nota ou uma sequência melódica”.

quanto à noção instituída do caráter documental da gravação de campo, que seu trabalho problematiza, thelmo diz: “é porque acho que a coisa documental é estranha. porque se a gente tende a entender aquilo como recorte do real… na verdade, é completamente aceito como se fosse [real], sem questão. não existe uma questão mais quando se diz que é documental (a história do “cinema verdade”). é uma questão semântica, questão de poder. óbvio, estética e poética também”.


o início do hrönir e improvisação

início dos anos 1990, um tempo sem internet, vivendo longe da grande são paulo ou rio de janero. como os discos de noise apareciam para você em recife? “eu conseguia pegar por erros das lojas”, diz thelmo. “fiz quse todo mestrado em matemática lá no rio e lá aparecia. no rio tinha a representante da recommended records. ele recebia os discos pra distribuir no brasil e tinha as lojas que eram gigantes e caras pra caralho, tipo a modern sound. mas tinha as outras coisas. aí o pessoal achava uma merda [os discos de noise] porque era fritação e passava pras outras lojas mais barato. e aqui em recife coisas de noise eu lembro de ter pego com joão da [loja] blackout [na boa vista]. merzbow, atrax morgue essas coisas assim…  essa era uma época que o cd tava em alta e o dólar tava tipo um real. começo dos anos 90, não lembro exatamente mas é por aí, 1992, 1993. a galera pegava o catálogo e pedia daqui pra cá traz um de cada, isso sem ouvir, não tinha internet pra escutar antes. se comprava e se vendia muito cd na época, tinha muita loja aqui na cidade e joão era um dos caras que mais comprava porque ele vendia muito. aí chegava as ligações dele:

— thelmo!
— que foi, chegou disco foi?
— foi, venha pra cá correndo
— mas eu tô liso
— depois você paga, venha pra cá correndo que eu não quero esses discos aqui não

“só eu comprava. eu nem conhecia, quando ele dizia que não dava pra escutar eu falava: ‘passe pra cá’. isso não é só com noise, coisa de black metal tipo abruptum também, umas coisas bem ritualísticas de black. era a mesma coisa: chegava, ele e ninguém conseguia escutar e separava pra mim. eu comprava fiado, pagava um, dois, três meses depois, só quando tava com grana. e muitas vezes preço de custo porque eu dizia:

— rapaz, esse aqui eu num gostei muito não
— não, leve, pelo amor de deus
— porra bicho mas 20 conto…
— eu comprei por 9, leve
— mas eu tô sem dinheiro…
— depois você paga os 9

“nisso eu comprei muitos, muitos discos. a galera não tinha como ouvir antes”.

ele começou a ‘tocar’ quando comprou uma mesa de som e viu as possibilidades de fazer colagens e modificações nos discos, à plunderphonics.

 thelmo cristovam e túlio falcão: o núcleo duro do hrönir

“antes eu só conseguia acessar um toca-discos por vez, ou o toca-discos ou o tape deck. aí com a mesa de som eu comecei a perceber que eu podia botar várias coisas juntas e eu enchia a mesa de som. eu sempre tive mais de um toca-discos, aí botei toca-discos, tape, cd um bocado de coisa e ficava mexendo nas frequências. o massa com o noise é que quando você mexe com as frequências, você modifica esteticamente a coisa, a ideia modifica mesmo. e tinha uns cd players portáteis, acabava comprando usado da galera e conseguia mexer nas rotações. e foi isso. na época túlio [falcão, o outro membro que, junto com thelmo, forma o núcleo duro do hrönir] tava mexendo com software de áudio. acho que era o acid que ele usava. eu lembro que ele começou a usar o acid porque ele tocava numas bandas de hip hop (bem foda por sinal) e o acid era muito bom pra fazer loop, fazia os laços muito bem. mas enfim, a gente viu que dava pra fazer mais coisas. aí ele me mostrou no sentido de: ‘eita, a gente pode juntar isso!’. meses depois túlio comprou um synth (não sei como porque a gente vivia duro) e começou a fazer mais algumas coisas. aí foram os três primeiros anos que a gente ficou compondo o primeiro disco do hrörnir, o bardo thodol. foram três anos fazendo isso porque [a distância] de olinda pra jaboatão é foda, ele ia passar o fim de semana lá em casa.”

quanto à sua ténica de improvisação com o saxofone (que só comprou em 2000), ele conta que foi desenvolvendo ouvindo os discos, “escutando as outras coisas e descobrindo (‘porra, é assim que aquele cara fez’)”.

por nao ter esse treinamento formal você conseguiu descobrir outras formas de tocar? “sim, isso é bem claro. a maioria esmagadora da galera de música experimental é muito quem não foi pra academia. tem uma galera de academia também que tem isso, mas a galera mais vira-lata é isso mesmo. é porque não tem treinamento… isso eu to dizendo de conversa com as pessoas. não só instrumento tradicional, mas eletrônica também. o pessoal que faz sem nunca ter passado por uma faculdade e tal você vê claramente como manipula… claro que tem uma galera fora da reta, mas quem foi treinado pelo flo-menezes mexe com eletrônicos igual a todo mundo. o cara que faz na rua todo dia descobre uma coisa nova e não tem ninguém dizendo que tá errado. essa é a questão, é a negativa da mãe ao nascer e ao crescer que não existe, então você descobre um outro mundo”.

“você na verdade vai construindo uma nova moral, né? só o que o seu ouvido aceita. e como, em geral, quando você vai fazer isso já tá escutando umas coisas mais esquisitas, você vai buscando essas coisas assim e vai percebendo que algumas coisas são próximas ou paralelas às coisa que você escutou. e como você não tem regras aquilo que você escutou acaba desenvolvendo e expandindo, não no sentido de melhorar mas de diversificar aquelas outras coisas porque não tem ninguém podando”.


agostocaos rastejante e microorganismos

ele diz que não há muito o que dizer sobre agosto, que, para sua surpresa, foi recentemente indicado ao prêmio bravo! de cultura na categoria melhor álbum de música erudita (ironicamente, ao lado de flo-menezes). “aquilo ali é uma raiva, é amargura. tem muitas coisas dessas gravações vazadas dos políticos. grande parte daquilo ali é gravação desses políticos que modifiquei completamente, processamentos e processamentos e processamentos. inclusive muita coisa usando os ruídos por ali, quando não se escutava o que eles falavam. o meu modo de lidar com isso é retransformar essas coisas ou ficar manipulando elas de algum modo. poeticamente não tem muito o que falar não, é um trabalho sobre amargura mesmo ou decepção”.

o caos rastejante é um trabalho antigo dedicado a h.p. lovecraft. “em 2011 gravei aquelas ondas. aquilo ali foi engraçado porque veio de um erro. eu baixei uns filmes numa extensão chamada rmvb e quando botei pra ver um desses filmes a placa de som distorceu completamente o som do filme. então aquilo são sons dos filmes que acho que essa extensão nao aceitou e leu desse modo. aí foram filmes e filmes e filmes que eu gravei daquele jeito, mas aí teve umas manipulações que fiz também. sabe, a gente grava em 44 mil ciclos por segundos. a gente escuta 20 mil ciclos por segundos (20 mil hz). tem um teorema da psicoacúistica que diz que você tem que ter no minimo o dobro da informação digitalizada pra ser audível (o mínimo seria 40 mil hz). na época do cd a sony definiu como 44.1 e 48, mas aí eu pego essa informação de 44 mil ciclos por segundo e se eu transformo em 1000 ciclos por segundos e você começa a lidar com grãos”.

o que isso quer dizer? “é uma informação sonora. ter 44 mil quer dizer isso. a taxa de transmissão com profundidade e por densidade. manipulo as frequências e ao esticar os grãos ele distribui de outros modos.  eu gravo a 192 mil hz. um negócio de uma hora fica condensando auralmente em termos digitais a 15 minuto. ou o contrário, como em microorganismos que é oito horas mas é feito de gravações de 2 segundos que eu fico esticando, dobrando. mas ali eu estico, corto não simetricamente e dobro. aí estico de novo… é uma transformação do padeiro, que leva a caminhos não-lineares. você pega uma informação, estica pega ela de novo e bota ela pra dentro dela mesmo de novo”.

é como se fosse um time stretch, mas sem manipular o tempo e sim diretamente a informação digital, os grãos? “sim, eu tô manipulado a informação digital, a informação em si. isso foi um exercício mas o negócio é que eu fui fazendo tanto que eu fiquei percebendo: ‘caralho, que coisa foda!’  foi uma questão muito de combinatória mesmo. era um exercício, um estudo que acabou virando um trabalho. apareceu tanta coisa dali de dentro… e tem um vídeo associado a isso [microorganismos] mas esse tá de lascar pra fazer. sãos 8 horas de video só pra gravar isso e editar… tem uns [trabalhos] que não dá pra fazer sem grana. esse mesmo tem que ter um adaptador pra lente do microscópio, e atualmente eu to sem microscópio”. uma breve parte do estudo em vídeo está disponível no vimeo:

originalmente publicado no jornal do commercio em 14 de dezembro de 2016.

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